Qual o meu propósito? Qual o meu sonho? – Esses questionamentos começaram a reveberar com mais força na minha vida quando entrei no mercado de trabalho e me senti perdida. Eu estava em um caminho que eu queria, na comunicação, mas, ao mesmo tempo, não me sentia realizada. Na verdade, me sentia muito longe disso.

As descobertas tardias
O pensamento “Queria ter sido incentivada a buscar pelas coisas que eu gosto mais cedo e não só quando entrei na universidade.” passou a ser recorrente na minha mente durante a faculdade e foi lá que comecei a entender, de verdade, o que gostava.
Refleti sobre os motivos de não ter percebido isso antes. Cheguei à conclusão de que, por muito tempo, fui extremamente focada nos estudos e acabei não me permitindo descobrir minhas próprias preferências. Boa parte do meu caminho até a faculdade foi traçada seguindo o que meus pais diziam ser o melhor para mim.
Quando entrei na faculdade, finalmente me permiti experimentar a vida do meu jeito. Entendi que gostava de escrever, amava dançar e adorava a fotografia. Mas sabia que não queria fazer da dança um trabalho, então foquei mais na escrita e na fotografia.
A universidade não foi só alegria, mas, por ter sido uma fase de descobertas tão importantes, guardo esses quatro anos e meio com muito carinho no coração.
Seguindo o fluxo
Segui o fluxo: consegui estágios, trabalhei como freelancer, tentei abrir uma agência (que naquele momento não deu certo) e depois fui contratada por uma agência de publicidade e propaganda. Até então, eu apenas ia abraçando as oportunidades que apareciam, sem pensar muito a longo prazo. Fazia o melhor que podia com o que tinha.
Foi só quando conquistei um pouco mais de estabilidade financeira e equilíbrio mental nesse emprego que consegui, de fato, parar para pensar sobre o futuro da minha carreira e da minha vida.
Grande parte das minhas funções envolvia escrever, o que eu gostava. Mas ainda assim, a sensação de realização plena não vinha. Então recomecei, mais uma vez, a investigar o que estava faltando.
me compreendendo
Nessa nova fase, comecei a olhar para essa questão de diferentes ângulos.
Eu estaria mentindo se dissesse que o trabalho não me traz um certo tipo de realização. Afinal, vivemos em um sociedade capitalista, e ter um trabalho que pague bem, permite o acesso a ferramentas que me fazem crescer.
No entanto, comecei a pensar que talvez o trabalho não precisasse ser minha única fonte de realização. Essa é uma atividade que vai ocupar uma grande parte da minha vida, provavelmente 40 horas (ou mais) por semana. Mas a vida não precisa e não deve ser só isso.
Um exemplo disso foi a minha relação com as redes sociais. Sempre adorei postar no Instagram, criar, tirar fotos… mas quando isso virou obrigação diária por causa do trabalho, acabei odiando aquilo que antes era um prazer. Assim, percebi que talvez trabalhar com algo que a gente gosta nem sempre seja tão incrível quanto parece.
Foi com a ajuda da minha psicologa que iniciei novas estratégias para que eu me sentisse realizada sem ser com o trabalho. Passei a buscar atividades que não estivessem ligadas à minha profissão e, assim, fui descobrindo novos hobbies e aprendendo a viver de uma nova maneira.
O que dizem sobre propósito?
O existencialismo nos lembra que o ser humano nasce sem um propósito pré-definido. Somos nós que damos sentido à nossa existência e produzimos nossa própria essência.
Segundo Sartre, sempre existe a possibilidade de mudança. Podemos escolher fazer diferente, transformar nossa realidade a qualquer momento.
Ter um propósito é importante. Ele nos dá direção, clareza para o futuro e paz com as nossas escolhas. Mas esse propósito não precisa estar, obrigatoriamente, atrelado à carreira.
no fim, o que eu fiz foi…
Voltei a dançar, aprendi a desenhar, a colorir, a pintar com aquarela. Saí mais com meus amigos. Passei mais tempo comigo mesma, me entendendo de verdade. Criei também um blog para colocar minhas ideias para fora, do meu jeito, sem regras, só seguindo o que fazia sentido para mim.
Ainda não sei qual é o meu grande sonho. Não tenho um plano claro para os próximos dez anos. Mas a única certeza que tenho hoje é que a vida ficou muito mais leve quando eu deixei de buscar uma resposta pronta e comecei a apenas viver aquilo que me faz feliz.
Talvez a resposta certa apareça enquanto eu percorro o caminho. Ou talvez a resposta seja exatamente essa: seguir a jornada fazendo o que faz sentido para mim.
Referências
Você já parou para pensar no seu propósito de vida?
Sentido de vida na fase adulta e velhice
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