O que você faria se fosse obrigada a abandonar tudo que conhece e as pessoas que ama para casar com alguém de outra cidade, que você mal conhece e que também parece detestar esse casamento tanto quanto você?
Essa é a história de Ophélie. Ela precisa abrir mão de toda sua vida para se casar com Thorn, um homem do Polo, de poucas palavras e de olhar frio.

Noivos do inverno
Ophélie nasceu em Anima, a arca do Espírito Familiar de Ártemis, criada após o Rasgo, com clima ameno e cercada por montanhas.
Ela é uma das poucas animistas que conseguiu desenvolver sua habilidade de leitura de objetos, graças ao seu tio-avô. Ao tocar qualquer objeto descobre tudo sobre ele, descobre toda sua história. Além disso, possui o dom de atrevessar espelhos. Desde que já tenha se visto refletida nele e a distância não seja tão grande, consegue ir de um lugar a outro apenas atravessando-o.
Naturalmente curiosa e nada convencional, Ophélie nunca sonhou com casamento. Preferia a tranquilidade do seu museu, onde cuidava de peças antigas e aprendia sobre o mundo através da leitura desses objetos.
Mas essa calmaria se desfaz quando as Decanas, autoridades máximas de Anima, obrigam Ophélie a fazer parte de um casamento diplomático com Thorn, um homem do Polo, a arca comandada pelo Espírito Familiar de Farouk. Lá, o frio é o menor dos desafios – os jogos de poder da corte é que são o verdadeiro perigo.
Ophélie não quer esse casamento. Tenta argumentar com as Decanas, mas tudo é em vão e ainda recebe uma ameça: “se não casar, pode desconsiderar seu lugar em Anima”. Resignada, embarca em um dirigível com sua madrinha e tia Roseline em direção ao Polo. Logo, descobre que Thorn também parece não querer essa união e a enxerga como alguém fraca demais para lidar com as lutas de poder em sua arca natal.
Entre a saudade de casa, o peso de um casamento forçado e as intrigas entre clãs, Ophélie precisa econtrar forças e usar sua esperteza para se adaptar a uma relidade que não escolheu.
Uma fantasia que te leva a questionar sua capacidade de confiar nos outros
Escrito pela francesa Christelle Dabos, o primeiro livro da série ” A passa-espelhos” ganhou o Grand Prix de l’Imaginaire, foi bestseller na França e chegou ao Brasil em 2018 pela Editora Morro Branco. Publicado originalmente pela Gallimard Jeunesse em 2013, tornou-se rapidamente um sucesso.
Sua narrativa é muito bem construída. Como costumo dizer, é um “eita atrás de eita”. Quanto mais avançava na história, um pedaço novo de informação era entregue, me deixando cada vez mais curiosa para acompanhar os próximos passos de Ophélie e Thorn — e para entender o grande enigma que envolve toda a trama.
Essa é uma daquelas fantasias que vai fazer qualquer um questionar a sua capacidade de julgamento sobre os outros. O livro desafiou minha percepção de confiança em vários momentos: quem era uma pessoa confiável e doce se revela amarga e vingativa, quem parecia de confiança se torna um traidor e todas as escolhas têm uma motivação maior escondida.
Os personagens são todos, à sua maneira, muito interessantes. Quanto mais lia, mais os entendia. No entanto, a frieza de Thorn me deixou bem irritada no livro. Acho que, se ele tivesse sido honesto com Ophélie desde o inicio, a jornada dela poderia ter sido um pouco menos dolorosa.
Outro ponto importante é que, mesmo a história sendo contada em terceira pessoa, a sensação que tive é de que os acontecimentos são mostrados a partir da perspectiva de Ophélie, o que me fez desenvoler a tendência de ficar sempre do lado dela na narrativa.
Em resumo, Noivos do Inverno, é uma fantasia incrível que vai te fazer querer ler até a última página.
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